4 erros de script em ‘Blade Runner 2049’ que são imperdoáveis

Vamos analisar o ‘Blade Runner 2049‘. Mas vamos fazê-lo a partir da opinião subjectiva da pessoa que escreve este artigo. Não estamos dizendo que o filme de Denis Villeneuve (‘The Arrival’) é um filme ruim. De forma alguma. Blade Runner 2049 é um filme perfeito a nível audiovisual. Tem um BSO impecável de Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch. E um enorme trabalho cinematográfico de RogerDeakins. Assim como a direção virtuosa. Mas é no roteiro de Hampton Fancher e MichaelGreen, escrito através da história de Fancher e dos personagens de Philip K. Dick, que encontramos o maior número de problemas.

A história em ‘Blade Runner 2049‘, durante um período de 163 minutos, acaba sendo tremendamente curta. Uma das sensações que se tem ao sair do cinema é de frieza. A frieza de ter visto um filme com muitas filmagens sobrando, com um ritmo irregular. Mas também com um sentimento paradoxalmente irracional que, em última análise, lhe faltava filmagens! É por isso que vamos contar-lhe sobre os 4 imperdoáveis erros de script que o ‘Blade Runner 2049’ contém. Obviamente, haverá SPOILERS do filme neste artigo de opinião. Deixamos o cartaz relevante para a ocasião:

A esta altura, começamos a nossa análise!

1- O futuro da Wallace Corporation.

Quando terminar o filme, sabe realmente qual é o futuro da Wallace Corporation? O que vai acontecer agora à empresa de Niander Wallace? Sabemos? Não. Nós não sabemos. A conclusão de ‘Blade Runner 2049‘ não fecha o fio da tomada de decisão que Niander Wallace fez ao longo do filme. Para não mencionar o curta-metragem ‘2036: Nexus Dawn‘. Nesse curta-metragem vemos como Niander Wallace apresenta sua idéia de criar um Nexo que pode desenvolver sentimentos, mas que não há problemas quando esses replicantes podem – ao mesmo tempo – desenvolver um conceito de rebelião contra a espécie humana. Ao prová-lo publicamente, a Wallace Corporation recebe luz verde para desenvolver novos replicantes após a catástrofe de 2022 e explicada no curta-metragem ‘Black Out‘, de ShinichiroWatanabe.

Em ‘Blade Runner 2049‘, por outro lado, temos a oportunidade de desenvolver a necessidade de a Wallace Corporation produzir réplicas em massa. A uma velocidade muito maior do que a que a empresa de Niander Wallace está produzindo atualmente. Deixando de lado os aspectos religiosos-criativos do caráter de Jared Leto, Wallace revela que a Terra está doente. Seu propósito é que as colônias além das estrelas comecem a dar frutos. Para isso eles precisam de mão-de-obra barata, ou seja, replicantes. É por isso que ele precisa encontrar a chave para o último truque de Eldon Tyrell e TyrellCorporation: criar um Nexus capaz de se reproduzir como os humanos. Para ter filhos. Se ele conseguir quebrar este puzzle genético e robótico, ele pode produzir em massa. Além de satisfazer as suas expectativas pessoais como criador.

No entanto, o que acontece no final do ‘Blade Runner 2049‘ com tudo isto? Nada. Nada de nada. O plano de Niander Wallace está arruinado pelo aparecimento do agente K (Ryan Gosling) e do esquecido Rick Deckard (Harrison Ford). Mas não sabemos quais são as implicações políticas, económicas e comerciais da resolução do conflito. Nem quais são os próximos passos – se houver – que Niander Wallace dará para reativar seu plano original. Ou se a Wallace Corporation vai ter um futuro depois do que ele viveu.

2- A Rebelião Nexus 8.

Esta rebelião Nexus 8 apresentada no final do filme de Denis Villeneuve só serve aos escritores para desculpar o fato de não ser o Agente K o descendente direto de Rick Deckard e Rachael. Mas para que mais serve? O que é que esta apresentação traz para o enredo? É-nos apresentado um tema secundário de rebelião que abre a porta a um conflito de gerações sem precedentes que traz até à mesa o debate sobre o que os replicantes de direitos deveriam ou não ter num mundo humano. Mas não tem. Não serve para nada a não ser para girar o roteiro.

3- A reacção da filha de Rick Deckard

Ninguém reparou? Antes de saber que a Dra. Ana Stelline (Carla Juri) é a verdadeira filha de Rick Deckard e Rachael, o agente K faz uma visita a esta empresa subcontratada pela Wallace Corporation. Esta empresa está encarregada de criar as memórias para estes Nexus 8, uma linha criada por Niander Wallace para se parecer cada vez mais com os humanos. Apesar de ser completamente controlado. Mas porque é que a filha de Rick Deckard, Ana Stelline, reage assim quando conhece o agente K e analisa as suas memórias, se são iguais! Será que ela pensa que é uma replicante? Provavelmente não, porque as memórias dela não podem modulá-las. Mas o agente K’s pode. Ela olha para eles e vê as mesmas memórias. E ela nem sequer lhe diz nada. Tudo o que ela pode fazer é chorar. Qual é a explicação para isto? E o que significa isso? Porque não temos uma resolução dessa secção no final do filme?

4- O fim do caso de amor do Agente K e da Joy.

Se ‘Blade Runner 2049‘ tem uma história que deve ser destacada que é o caso de amor entre o agente K e a inteligência artificial chamada Joy (Ana de Armas). O personagem da atriz cubana cria um subplot no filme que é mais próximo de ‘Ela‘ (2013) do que da saga de Ridley Scott. E Denis Villeneuve acerta no seu tratamento deste arco de trama. Há dois grandes momentos no filme. Duas sequências inesquecíveis que permanecem para a história da sétima arte. A primeira é a cena de sexo com a prostituta, editada por Joe Walker com a precisão de um cirurgião. E a segunda é a cena em que o anúncio de Joy aparece na frente do agente K após a morte da inteligência artificial possuída pelo replicante de RyanGosling.

Durante um intervalo de ‘Blade Runner 2049‘, Denis Villeneuve nos conduz através de uma trama que levanta muitas questões existenciais sobre a vida, sentimentos e especialmente sobre o amor. O motor que move os seres humanos. Mas no momento em que o filme chega ao ponto em que a franquia Ridley Scott obriga Villeneuve a ir (devemos lembrar que Villeneuve não queria fazer uma seqüência de ‘Blade Runner‘ ou usar HarrisonFord) é quando todo esse trabalho na tela se torna volátil. E não chega a lado nenhum. Um estribo da vilã SylviaHoeks e fora. Um problema a menos para os escritores.

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