A inocência e poesia de ‘The Bow’ de Kim Ki-duk.

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01 Julho 2008, 22:17 Beatriz Maldivia

‘The Bow’ é uma história simples que entra dentro de si, ao contrário de outros filmes, onde são os espectadores que têm de entrar. É intoxicado pela poesia da natureza, a música, a beleza das imagens ao ar livre, a inocência e o encanto da jovem protagonista, o colorido de suas roupas. A evolução da trama e da psicologia das personagens é realizada com uma progressão perfeita, o que a torna quase imperceptível, sutil e harmoniosa. A humanidade dos protagonistas, que conseguem performances maravilhosas, é provavelmente o que mais eleva o filme a um status quase sublime.

O Arco‘ abre no dia 31 de Março. O filme conta a história de um velho pescador que encontrou uma garotinha quando ela era pequena e esperou até os 17 anos para se casar com ela. O pescador vive em uma velha barcaça, para a qual traz clientes com um barco, para pescar, como um esporte. A rapariga não pôs os pés em terra desde que o velho a encontrou. Como ela não conhece nenhum outro tipo de vida, não parece não gostar do seu pequeno mundo, ela até parece contente em casar com o cavalheiro que todos pensam ser o seu avô. O modo de vida flutuante contrasta com o pouco que conhecemos dos visitantes, muitos deles jovens, felizes, usando roupas de marca e desfrutando de aparelhos eletrônicos, como um mp3 player, que ela nem sabe que existem. O único entretenimento para a protagonista é o arco, que ela usa tanto para atirar flechas com mira precisa quanto para tocar música como se fosse um violoncelo; e um balanço com o qual ela pode esfriar os pés na água do mar.


O velho, além de alugar a sua barcaça para a pesca, adivinha a fortuna dos visitantes. Para isso, ele amarra algumas cordas coloridas aos pulsos da jovem mulher e ela balança nas águas calmas do mar. Ele, do barco pequeno, atira suas flechas em um Buda pintado no convés do barco grande. E ele nunca falha. A menina pega nas setas e sussurra ao ouvido do velho o futuro de quem quer que tenha pedido.

Destas pequenas migalhas do mundo exterior que chegam ao barco, o que vai surgir fará a jovem perceber que ela pode não ter tudo. Um jovem estudante universitário bonito virá pescar, e os dois ficarão deslumbrados um com o outro. A partir desse momento, a futura noiva não será mais tão dócil para o velho pescador. O jovem é o sopro de ar fresco que fará a menina ver que existem outros mundos, mas também fará o velho perceber, confrontando-o, que ele não pode ficar com a jovem.

P

ortanto, ele conseguirá uma libertação ao custo de derrubar todos os castelos no ar que o velho e a menina construíram para si mesmos.


Os dois filmes que vi até agora do diretor coreano Kim Ki-duk, ‘The Arch’ (‘Hwall’, 2005) e ‘Iron 3’ (‘Bin-Jip’, 2004), foram ambos lindos, muito bons e próximos da obra-prima. Na verdade, ‘Hiero 3’, para mim estava entre os três melhores filmes de 2005, ou entre os que foram lançados em Espanha em 2005. Não posso dizer se gostei mais ou menos do ‘El arco’. São praticamente tão bons quanto eles, embora para detalhes ou às vezes, eu preferisse um em vez do outro. A pior coisa que encontro no ‘El arco’ é algo fantástico que acontece no final, o que eu não acho que seja muito relevante, é um pouco desafinado. Nesse sentido, o ‘Ferro 3’ é mais compacto. Mas o actual também tem elementos que o colocariam em cima da mesa. Ambos os filmes têm ingredientes em comum, tais como a ausência de palavras nos protagonistas. Um recurso que poderia ser forçado e pretensioso, se fosse feito demasiado deliberadamente para ser original, e que poderia ser cansativo, aqui é conseguido com maestria, sem que pareça que os personagens não fiquem nada por dizer por causa desta escolha. O próprio Ki-duk acredita que “todos nós temos desejos e esperanças aos quais não damos voz porque eles não podem ser expressos nos tempos em que vivemos”. O papel do pescador é desempenhado por Jeon Sung-hwan. A garota, Han Yeo-Reum, é também a protagonista de ‘Samaritan Girl’, o filme pouco antes de Ki-Duk, no qual ela interpretou o papel sob o pseudônimo de Seo Min-jeong. Ambos se comunicam um com o outro e com os visitantes através de olhares, gestos. E, quando se zangam, atirando flechas. O velho é uma boa pessoa, ele não faz a jovem refém com más intenções, ele nem sequer é egoísta, ele só não percebe o que está a fazer. Quando ele fica zangado, fá-lo para a proteger. Ele prepara o enxoval com muito cuidado, dá-lhe banho e cuida dela com todo o seu amor. Ela é inocente, mas não está isenta de uma grande sensualidade. Os seus lindos sorrisos, os seus olhos expressivos, dizem tudo. O estudante é encarnado por Seo Ji-Seok, um jovem que parece não ter mais papéis em seu crédito. Ele é um homem que se comporta como um herói, mas sem usar a força ou a opressão.

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