A Lâmina Escondida, quando os diretores se apaixonam por uma história

A Lâmina Escondida’ (‘Kakushi ken oni no tsume‘, 2004) é praticamente uma cópia a papel químico de ‘O Crepúsculo do Samurai’, e me fez lembrar de operações similares realizadas por outros diretores que, como Yôji Yamada, se apaixonaram por um tipo de história e repetiram a fórmula em um ou mais filmes. Claro, há variações. Na época, Leo McCarey fez uma nova versão de “Você e Eu” (1939), obtendo um sucesso maior, em 1957, obtendo uma das cúpulas do cinema romântico. Nesse caso, falaríamos de remakes, como fez Cecil B. DeMille fez ‘Os Dez Mandamentos’, transferindo um filme da era do silêncio para a era do som.

Mas o que Yamada tem feito está mais perto das operações ao estilo de Howard Hawks com ‘Rio Bravo’ e ‘El Dorado’. São filmes diferentes, mas em essência o segundo parece ser uma revisitação do primeiro, introduzindo novos elementos, para que você possa ver variações na sua argumentação. Yamada fez o mesmo com ‘El Ocaso del Samurai’, e ‘The Hidden Blade‘. Ambos têm histórias diferentes, mas estruturas muito semelhantes, com os dois filmes falando sobre a mesma coisa.

SPOILERS

A “Lâmina Escondida” fala sobre a passagem do tempo, entre outras coisas, e como ela nos faz pensar nas coisas realmente importantes. Mais uma vez, Yamada deixa estas reflexões para o final do filme, quando este está completamente fechado, depois de ter testemunhado uma história quase idêntica a “O Crepúsculo do Samurai”, que joga algo contra ele. Desta vez Yamada não conseguiu transmitir plenamente suas intenções, talvez por causa de um excesso de repetição, ou porque o filme é muito cansativo em certos momentos. Mais uma vez, este mal, tão difundido no cinema de hoje, deixou a sua marca num filme totalmente reflexivo e cheio de contenção, mas claramente excessivamente longo. Quando é que os realizadores de qualquer nacionalidade se darão conta de que não é necessário passar mais de duas horas numa história que não precisa de mais de uma hora e meia? E tem cuidado, não estou a dizer que alguns filmes longos são maus. Na verdade, há muitas provas ao longo da história do cinema. E eu cito dois exemplos muito diferentes: Cecil B. DeMille com as suas histórias épicas, ou Peter Jackson com a sua famosa adaptação. Em ambos os casos, eles são até encurtados.

Mas no caso de ‘The Hidden Blade‘ isso não acontece, e embora não estejamos diante de um filme mau, longe disso, é verdade que o tédio está presente, especialmente no bloco central do filme. Além disso, as situações e conflitos apresentados são muito menos interessantes do que aqueles expostos na sua visão anterior do mundo dos samurais. Se nesse o protagonista foi marcado por um debate entre a sua vida familiar e o seu dever como samurai, nesse esteve à frente de uma família que dependia dele, o que de certa forma o obrigou a fazer o que ele faz. Em ‘The Hidden Blade’, o protagonista não está tão amarrado e as suas decisões são tomadas de forma muito mais livre. É uma variação do enredo que vê um personagem que quase parece uma extensão do do filme anterior.

Ainda assim, The Hidden Blade é um filme agradável. Os actores fazem mais do que composições interessantes com o habitual bom trabalho oriental. Yamada mostra um clássico que poucas pessoas têm mais, e tecnicamente é necessário enfatizar mais uma vez a trilha sonora de Isao Tomita, usada em certos momentos, curiosamente os mais emocionais. Este filme é editado em dvd, no caso de você querer dar uma olhada nele. Embora faça parte da trilogia dos samurais que se completa com ‘Amor e Honra’, é um filme totalmente independente, já que não se trata de uma trilogia de um personagem de enredo, mas sim de uma trilogia temática.

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