Amor e honra’, o drama do samurai cego

No dia 28 de março, ‘Amor e Honra’, o novo filme do diretor japonês Yoji Yamada depois de ‘A Lâmina Escondida’, vai chegar às telas espanholas para grande surpresa. Além destes dois títulos, ‘O Crepúsculo dos Samurais’ (indicado ao Oscar de melhor filme em língua não inglesa) formará uma trilogia especial sobre a figura mítica do samurai. Um samurai diferente, mais íntimo, mais próximo, mais humano. E não menos fascinante, embora talvez mais aborrecido para o público ocidental.

Amor e honra’ (‘Bushi no ichibun’, 2006) gira em torno de Shinnojo Mimura, um samurai de classe baixa, casado com Kayo, uma esposa linda e dedicada. Seu trabalho é provar a comida de um Senhor, para evitar que ela seja envenenada. Um dia, ele é envenenado por um peixe cozido fora de época e, embora isso lhe salve a vida, ele fica cego. Incapaz de fazer o seu trabalho e temendo o pior, ele considera o suicídio, mas o Senhor mantém o seu nível de renda, não fazendo nada. O Kayo parece ser a chave para esta surpreendente decisão…

Yamada continua neste filme com o mesmo esquema e o mesmo ar que já nos mostrou em ‘O Crepúsculo do Samurai’ e ‘A Espada Escondida’. Com poucas linhas, apresenta-nos os personagens e o conflito central, conduz-nos com elegância através de uma história que flui lentamente, alterada por uma série de acontecimentos dramáticos que terminam, sem remédio, num conflito armado, num duelo com uma espada de grande tensão.

É muito gratificante encontrar, a este respeito, uma narrativa de combate tão tradicional como muito poderosa; sem saltos impossíveis, movimentos frenéticos de câmara ou efeitos digitais. Dois homens a lutar até à morte num campo aberto, sem qualquer tipo de artifício. O verdadeiro é mais assustador, e é sobre isso que este confronto deveria ser. O medo do fracasso. Não da morte, porque o samurai já a toma como certa.

Este é um dos filmes que pode levar o público ocidental a rejeitar o cinema asiático. A progredir lentamente, não é nada como o cinema a que estamos habituados, o americano. Aqui, os personagens lutam por dentro, não por fora, exceto quando não têm escolha. Aqui, as sequências duram mais do que o habitual, porque precisam de ser desenvolvidas de tal forma que o espectador compreenda porque é que cada personagem é de uma determinada forma e porque é que agem desta forma.

Neste sentido, é exemplar a forma como Yamada consegue fazer-nos identificar com o seu samurai; um homem de posição fraca cuja honra é sagrada (sem ele, a sua vida não tem sentido). Mimura comete erros, mas nós os entendemos como se fossem nossos, e logo percebemos que não há outra saída a não ser aproveitar sua determinação para resolver a espada do conflito em mãos. É o seu código de honra, bushido, e é tanto uma parte dele como o seu coração ou o seu cérebro. Destaca-se também a grande atuação de Takuya Kimura, que consegue uma transformação ao longo do filme digna de aplausos.

É uma boa notícia para todos que um filme tão interessante como ‘Love and Honor’ será lançado (embora um pouco tarde) nas salas de cinema espanholas. É uma pena que aqueles que pagam o bilhete tenham de o ouvir em espanhol quando penso que aqui, mais do que nunca, a língua original é crucial. Um bom filme, mas não muito recomendável para aqueles que só toleram o western e adoram fast food na TV.

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Trailer e poster de ‘Amor e Honra’ (‘Bushi no ichibun’) de Yôji Yamada

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