Batman amaldiçoado. As segundas oportunidades não vêm de graça

Em Batman amaldiçoado, o Joker está morto. O cruzado do cabo acorda sem saber o que aconteceu, sendo acusado da morte do palhaço, e isso pode ser verdade.

Já chegou ao fim. Batman Condenado e o resultado é agridoce. A história tem um começo brutal e uma premissa atraente: Qual é o limite do Batman com o Joker? Brian Azzarello e Lee Bermejo exploram o lado mais aterrador do Batman em três atos cheios de terror e magia.

A PRIMEIRA “ETIQUETA PRETA

A série que estreou o Black Label está finalmente concluída com o terceiro volume, e aproveitamos para rever esta história mais adulta do mito do homem morcego. Um mistério a resolver, com um aroma sobrenatural, e no qual Batman é acompanhado por seus personagens secundários de luxo e uma co-estrela que ninguém quer por perto: John Constantine. Tudo começa com um despertar, e termina com outro, no meio da escuridão, da morte e sobretudo da loucura, espreita o detective na sua busca de uma resposta: quem matou o Joker?

As colaborações anteriores de Azzarello e Bermejo sempre deram quadrinhos interessantes, ‘Joker’ é hoje uma história clássica dentro do universo do Batman, embora para o assinante, além de sua imagem “Nolaniana” do palhaço do crime, ele não acrescentou nada de notável à história do homem morcego, uma boa história de crime “feita em Azzarello” e um tremendo desenho, mas nada de novo. Este não é o caso do ‘Batman: Condenado’, que procura um lugar entre os Olimpianos desta personagem, ficando às portas.

HAVIA ALGO GRANDE PARA SE FALAR.

A controvérsia tem acompanhado esta série desde o seu lançamento. A agora famigerada cena do pénis do Batman foi o começo. Que numa banda desenhada claramente rotulada “para adultos” um nu aparece não deve causar agitação, mas parece que sendo o “batpene” sim, tudo é ampliado quando o Batman é introduzido na equação. A segunda edição do primeiro número escureceu a área em questão e o relevo foi corrigido, mas agora a primeira edição é ainda mais cobiçada pelos colecionadores por causa dessa mudança.

Se deixarmos para trás o tema anatômico e entrarmos na própria história, seu impacto dentro do panorama da nona arte veio de uma premissa muito interessante: Batman acorda sem saber o que aconteceu nas últimas horas, é ferido e é perseguido por algo que não sabe se fez, matando o Joker.

UMA PREMISSA PODEROSA E MAIS COMPLEXA DO QUE ELA OFERECE

Azzarello começa com uma investigação para descobrir a verdade, mas os métodos detetives batem nas paredes a cada passo, e no final do primeiro ato é confirmado que há algo de sobrenatural em todo o caso. E tem de ser o investigador paranormal, exorcista, mágico de segunda classe e fumador profissional mais conhecido no universo DC que o confirma: John Constantine. O inglês age como um narrador omnisciente durante toda a história em quadrinhos, com um tom cínico e sarcasmo para dar, nos faz duvidar das ações do Batman, dos seus pensamentos, e nos permite entrar na psique de um personagem complexo que acabou de ver um de seus pilares colapsar, matar, ou pelo menos acreditar que ele matou.

Com tudo isso à nossa frente, estamos diante de uma trama que poderia ser muito interessante, mas que infelizmente fica aquém das expectativas. A trama mergulha na decisão mais poderosa que o Batman tem pela frente, e na dor que poderia ser causada por ceder a ela. Cumpre as suas ideias principais, mas com grande aceleração na narrativa, tudo acontece porque o espaço está a esgotar-se. O terceiro ato torna-se um resultado e um epílogo ao mesmo tempo, deixando um desenvolvimento misterioso em algo meramente anedótico. A força que a série estava gradualmente a assumir perde-se subitamente e o resultado acaba por ser um cliché que deixa todo o interesse no terreno.

LEE BERMEJO ESTÁ EM GRANDE FORMA

A arte de Lee Bermejo nos leva a um Gotham cheio de sujeira e lixo, escuro e desagradável, onde o fumo e as sombras não nos deixam ver claramente. Com traços hiper-realistas, o cartoonista faz a sua versão do Batman e, mais uma vez, apresenta uma história cheia de detalhes e poder. A história de para que possa espremer ambientes, personagens e ação, nos dá algumas composições de páginas espetaculares e detalhadas que deixarão o leitor com a boca aberta. Mas a história não permite muito mais ao artista, a extensão do mesmo faz Bermejo contar de forma eficaz e espectacular, mas isso deixa a narrativa por vezes em pontos confusos, uma história tão complexa que é capturada com um desenho tão complexo deveria ter mais espaço.

Condenado Batman é, em conclusão, um bom começo para a nova etiqueta de banda desenhada DC, e a edição de três volumes do ECC como a original mantém uma boa relação custo-benefício, pois é uma capa dura de grande formato a um preço baixo. Mas como uma obra peca por ser escassa, por ter um fim abrupto e por ter uma conclusão fácil sem muita originalidade. Embora o pior possa parecer muito, não é, é lido com avidez e velocidade, o desenho é incrível, e os personagens não precisam mais de se definir, é uma leitura rápida sem complexos, dura e escura, e com um Batman a duvidar de tudo o que o faz ser Batman.

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