Caveman’ é o mais recente exemplo de como as celebridades são uma maldição na dublagem

Vamos falar sobre dublagem. Embora normalmente prefira ver filmes na sua versão original, há momentos em que as circunstâncias me “forçam” a ver a versão dublada (embora eu não tenha muito problema com isso). Estas circunstâncias podem variar desde os companheiros que você tem até a disponibilidade, especialmente “nas províncias”, dos lançamentos de cada semana em termos de áudio.

Então lá estava eu, com os meus bilhetes de cinema para ver ‘Caveman‘ (‘Early Man’, 2018), o último filme de animação de Aardman patrocinado por Nick Park, um dos seus principais produtores e realizadores. Normalmente não presto muita atenção aos cartazes, mas de repente vi três nomes no cartaz do filme: Hugo Silva, Chenoa, Mario Vaquerizo.

“Bem, tudo bem”, pensei, “eles provavelmente são só para chamar a atenção e terão papéis de apoio”. Mas eles não têm. Fiquei encantada que o ator, o cantor e o marido do Alasca chamassem os dois protagonistas e o antagonista de “Caveman”. E o resultado foi notoriamente mau, impedindo-os de desfrutar de um filme bastante engraçado e bom.

Hugo Silva, que não é um actor muito bom (e vocal não é o seu forte), pelo menos é actor e tem um passe numa actuação normal do “adolescente aleatório” que é Dug, o protagonista de “Caveman”. Este papel, aliás, é desempenhado na versão original por Eddie Redmayne (‘La chica danesa’, ‘La teoría del todo’).

Mario Vaquerizo não parece apanhar o jeito desta coisa da dobragem, uma vez que não é a sua primeira experiência. Hotel Transylvania’ tinha a sua voz para Frankenstein e era uma das reivindicações da versão dublada de ‘Stand by me, Doraemon’. Em ‘Caveman’ como Lord Nooth (Tom Hiddleston) não tem nem pés nem cabeça numa actuação em que não tece três palavras seguidas.

Chenoa faz o que pode como Goona… e não é suficiente. O especialista em futebol e “interesse romântico” da personagem principal, que na versão original interpreta Maisie Williams, soa como uma escolha muito insensata. Este horror com estes três “actores” torna-se mais evidente quando o resto dos personagens falam, entre os quais já encontramos actores experientes e bons, dubladores.

Penso que em Espanha fazemos uma boa dublagem: temos muito bons actores, embora se possa ver que nos últimos anos estamos a perder muita qualidade e cuidado. Por outro lado, sempre haverá um debate sobre como a dobragem modifica o trabalho original, não por causa da tradução mas, em alguns casos, devido à medida em que as inflexões vocais mudam um personagem.

Temos que enfatizar algo muito importante: na animação, embora tenhamos a sensação de que o ator dublador não deve ter muita importância, ela tem importância. Além disso, trabalhamos e desenhamos de tal forma que ator e personagem são “uma só carne“, que quando vemos o Sr. Incrível reconhecemos Craig T. Nelson, por exemplo… ou Will Smith em ‘The Shark Scarer’. É por isso que eles não parecem tão bem quando o ator espanhol tenta dar-lhes um toque muito pessoal, parece visivelmente estranho.

Espantalho

Claro que, num país tão bem feito para a dobragem como o nosso, não parece importar quem está por detrás de “um desenho”. Ainda mais quando a animação ainda é um tipo de cinema dirigido principalmente a um público infantil e, portanto, parece que existem certos luxos e mangas largas para contratar não-profissionais. Você consegue imaginar Chenoa dublando Arya Stark? É isso mesmo.

Esta condição de “produto para o pintinho” significa que em muitas ocasiões sofremos inúmeros ataques diretos a um filme ao contratar atores maus, mas pessoas famosas, bem-humoradas e de moda variada para dublá-lo. Pessoas que simplesmente não se encaixam nas exigências do trabalho e que, além disso, imortalizam os seus próprios cliques nos personagens de outras pessoas.

Em ‘Shrek’, a antiga dupla de Cruz e Raya, Juan Muñoz e José Mota, como Shrek e Asno, respectivamente, e fazendo um “ahora vas y lo cascas” junto com algumas caudas pequenas. E tenho a certeza que se formos à cinemateca vamos encontrar muitos exemplos de diferentes localismos (as séries dos anos 90, por exemplo, têm uma série com referências a Ana Rosa Quintana, Matias Prats e outros apresentadores que é bastante elevada).

O ‘Espantalho‘ já não tinha Fernando Tejero de Will Smith, era metade do elenco de ‘Here’s No One Alive’; Flipy estrelou em ‘Rain of Meatballs’ enquanto Andrés Iniesta foi o chamado do distribuidor para ir ver ‘Piratas’; e, saindo da animação, como não lembrar de Dani Martín tornando Jack Black insuportável em ‘School of Rock’.

Certamente se colocarmos centenas destes casos em que, para seguir a moda, os gerentes de dublagem recorrem a intrusos da guilda. Pode atrair a atenção do público, mas o que é claro é que torna o resultado final muito pior.

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