Clint Eastwood: “A grande luta

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01 Outubro 2010, 14:02 Alberto Abuin@AlbertoAbuin

‘The Big Fight‘ (infeliz título para ‘Any Which Way You Can’) foi a resposta da Warner ao fracasso do ‘Bronco Billy’, cujas poucas possibilidades comerciais já eram conhecidas com antecedência. Assim, os executivos pressionaram Clint Eastwood a fazer a sequência do que até então era o seu maior sucesso de bilheteira, ‘Hard to Peel’. Deus sabe no que Eastwood estava pensando, para que ele pudesse facilmente concordar em atirar, provavelmente pelo dinheiro, e o fato de que ele poderia então fazer projetos mais pessoais.

Para isso, confiou a direção a seu colega e amigo Buddy Van Horn, chefe de especialistas em muitos filmes, e cuja filmografia como diretor consiste em três títulos, todos com Eastwood, e curiosamente o pior do ator. Van Horn limitou-se a fazer uma sequência completa, ou seja, o mesmo elenco (excepto para Beverly D’Angelo, que numa demonstração de inteligência não interveio), a mesma história, o mesmo humor, as mesmas lutas e o mesmo orangotango, embora o símio encarregado de dar vida a Clyde não fosse o mesmo que na prestação anterior, pois tinha engordado demais (sic). Mais uma vez, o artista cabeludo torna-se a melhor parte de um desempenho aborrecido e previsível.

A trama de “A Grande Luta” é mínima. Philo Beddoe (Eastwood) está aposentado das lutas ilegais, até que a máfia organize uma em que ele será obrigado a participar por causa da enorme quantidade de dinheiro em jogo, e porque seria o final perfeito para todas as suas lutas. Obviamente, a polícia não vai facilitar as coisas para ele, nem a mítica gangue de motoqueiros saloios que o têm para Beddoe. Ainda bem que o Clyde está lá para resolver as coisas e tornar a vida do espectador que sofre o mais agradável possível.

Porque ‘The Big Fight’ é um filme que não há maneira de o apanhar. Seu humor rude, suas situações repetidas, muitas das quais são uma cópia a papel químico das apresentadas no primeiro filme, não têm qualquer interesse, e é bastante difícil ver Eastwood na pele de um aldeão perito que atira punhos e é bom de coração. Mas as regras do dinheiro neste caso, o filme foi feito para angariar dinheiro, e sem atingir os limites de ‘Hard to Peel’, angariou o suficiente para continuar a salvaguardar a imagem de Eastwood como actor de bilheteira.

O Grande Combate’ é um filme próximo ao desenho animado, um desenho animado mas sem graça, embora tente mais de uma vez. A este respeito, vale a pena mencionar o bando de motoqueiros, uma paródia dos Anjos do Inferno, que o espancaram uma e outra vez, perseguindo Beddoe sem nenhum resultado. Cenas como o asfalto podem provocar alguma graça, e também alguma rejeição. Os orangotangos bonitinhos deixam muitas fezes nos assentos dos carros da polícia. As lutas são apenas isso, lutas, na sua maioria bem planeadas, mas talvez demasiado longas, e seguindo

o tom geral do filme, repetitivas.

O título espanhol refere-se à longa sequência final, em que Beddoe entra numa luta com Jack Wilson, jogada por William Falconetti Smith, cuja relação é baseada no respeito mútuo, mas é preciso mostrar qual dos dois é o melhor lutador. Esta luta parece ser, ou é, uma homenagem à de The Quiet Man’ (‘O Homem Quieto’, John Ford, 1952), mas obviamente as comparações são odiosas, e esta não consegue resistir a elas, ou porque não é tão divertida, ou como esperado pelo público (não importa quais personagens estão envolvidos), ou por causa do carisma dos atores, que, embora estejam em sintonia uns com os outros, não atingem os níveis de John Wayne e Victor McLaglen.

Em todo caso, a homenagem é um belo detalhe, nada mais.

Eastwood estava mais uma vez demonstrando bons sentimentos com sua parceira da vida real, Sondra Locke, que dizem ter custado 20 anos de amizade com Robert Daley, que não olhou com bons olhos para tal relacionamento, ou pelo menos é isso que as más línguas asseguram. Seja como for, “A Grande Luta” marcou o fim da relação de Eastwood com Daley, que também discordou sobre a forma como as coisas foram tratadas no Malpaso. No entanto, este é um facto que nada tem a ver com a qualidade do filme, o que não é uma tragédia, mas não lhe falta. Pode ser gravado com pequenas notas, como uma tentativa de olhar nostalgicamente para os seus personagens, e claro, um excelente gosto musical por parte de Eastwood, que ousa fazer um dueto com o próprio Ray Charles (falaremos do documentário Eastwood dirigido sobre ele) com uma canção intitulada ‘Beers to you’, ideal para cantar em bares. Fats Domino também aparece brevemente no filme, o que fará as delícias de algumas pessoas, incluindo o servidor.

Deixo aqui os créditos iniciais do filme, no qual a música acima mencionada é tocada, o melhor de um filme ruim que não acrescentou nada à carreira de Eastwood, exceto mais alguns zeros em sua conta bancária. Logo ele continuaria a confundir o pessoal com um filme de espionagem, tentando apertar a mão da ficção científica.

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