Cult films: análise de ‘Dark City

No início esta explicação foi dirigida ao filme ‘Southland Tales’, outra marciana de Richard Kelly. Entretanto, na última revisão, um de vocês propôs analisar ‘Dark City’, o trabalho subestimado de Alex Proyas (diretor do ‘The Raven’) que vem ganhando pó desde 1998. É verdade que o filme contém uma certa complexidade, metáforas e mensagens que ignoramos e que são essenciais para compreendê-lo. Para aqueles que ainda não o viram, vou dar-vos uma pequena ideia desta primeira parte. Recomendo que você leia a segunda parte depois de assistir, porque eu terei que estragar tudo.

Primeira Parte

Dark City’ é a história de uma experiência macabra realizada por seres não humanos chamada de Oculto. Esta experiência consiste em controlar a memória das pessoas, com a possibilidade de trocá-las entre si e modificá-las à vontade. Os habitantes de Dark City desconhecem que cada vez que acordam, todas as suas memórias mudaram. O ocultismo faz uma afirmação intrigante sobre esta experiência: se os humanos têm uma alma, eles preservariam sua identidade apesar das mudanças feitas no seu passado. O resultado do teste será de vital importância para estes estranhos seres.

Embora o filme tenha feito uma péssima bilheteria, os críticos decidiram dar-lhe um status de culto. A estranheza não se alimenta, mas alimenta a morbidez e o cachet. Este filme é totalmente recomendável, além de todas as questões que se colocam, visualmente é muito atraente. A escuridão que rodeia a cidade e o estilo ‘cyberpunk’ da cena apanham o telespectador.

Segunda parte

Dark City’ realmente não é um dos filmes mais estranhos que você já viu. Se resolvermos as ideias que surgirem, é bastante acessível. Por um lado, há os Escondidos, que são os responsáveis por este caos. Estes seres com poderes estão à beira da extinção e acreditam que a sua salvação está ligada à alma humana (entendida como a essência do ser humano, aquilo que os distingue de uma forma inata). O propósito da experiência que eles realizam é descobrir se essa alma existe. É por isso que eles brincam com as experiências das pessoas, para ver se somos apenas receptores de memórias ou se há algo mais que nos identifica.

John Murdoch é o personagem “lúcido”, aquele que tem sido capaz de ver a manipulação mental do Escondido. A mente do protagonista também foi alterada. Ele foi apresentado às memórias de um assassino em série para ver se ele é capaz de se comportar como tal. Murdoch, apesar de não manter um passado consistente próprio, rejeita a nova identidade que lhe foi imposta, afirmando assim a existência da alma.

Este personagem tem a capacidade de imitar os poderes do oculto. A força de Murdoch aumentará exponencialmente ao longo da história, ultrapassando até mesmo a desses seres. Este “dom” que ele adquire será fundamental na batalha final contra o ocultismo, para destruir a realidade ficcional que é a “Cidade das Trevas” e o homem livre. O poder de criação e destruição da matéria que ele possui no final do filme permitir-nos-ia identificá-lo como uma entidade divina.

O filme tem um grande componente filosófico. A referência mais clara é ao “mito da caverna” de Platão.

O filósofo explicou que o ser humano vive acorrentado e imóvel de pescoço e pernas em uma caverna. Lá fora há um incêndio em frente ao qual são colocados objectos reais. O ser humano só será capaz de apreciar as sombras desses objectos. Ou seja, o ser humano vive num mundo de aparências, numa realidade deformada. Com base nesta alegoria, identificaríamos John Murdoch como o homem capaz de sair da caverna e enfrentar a verdade.

Algumas pessoas comparam Dark City e Matrix, acusando a última de plágio. Embora seja verdade que existem semelhanças flagrantes (algumas das quais são mostradas aqui) cada uma traz a sua própria paranóia.

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