Dororo’, uma história emocionante de Osamu Tezuka

Em 2007, Akihiko Shiota dirigiu uma adaptação real da mangá ‘Dororo’ de Osamu Tezuka, que agora está disponível em DVD. É estrela de Satoshi Tsumabuki, no papel de Hyakkimaru, e Kou Shibasaki, no de Dororo.

O pai de Hyakkimaru é um guerreiro ambicioso que dá a quarenta e oito demônios as quarenta e oito partes do corpo de seu filho recém-nascido em troca da dominação mundial que lhe foi concedida. Com grande tristeza, a mãe de Hyakkimaru deve abandonar o que resta do seu filho num rio, pois o pai lhe diz que eles não podem criar tal desova. Um cientista encontra-o e decide curá-lo, fazendo novos membros do corpo das crianças – isto é mais específico no filme do que na manga. Quando Hyakkimaru é mais velho, ele dedica sua vida a matar esses demônios e a recuperar as partes do corpo que lhe foram tiradas. Dororo é um ladrão muito jovem que se junta a ele com a desculpa de que ele quer roubar sua espada, mas sim porque ele é órfão e está sozinho na vida. Dororo também tem uma missão auto-imposta: vingar a morte de seus pais. A mangá ‘Dororo’ não foi publicada em Espanha, mas você pode comprá-la pelo correio se souber qualquer língua em que tenha sido publicada. No nosso país estamos muito atrasados nestes assuntos, por isso não é raro encontrá-lo em quase qualquer outro lugar que não este. Antes de ver o filme recomendo a leitura da manga porque, se você assistir antes, há muitos elementos que serão estripados e não causarão o mesmo impacto quando você ler o filme. E se você optar por desfrutar de uma das duas experiências, a experiência mangá é muito superior. A crítica que você encontrará abaixo está focada no filme como uma adaptação. Alguém que não tenha lido o mangá pode oferecer uma crítica alternativa ao filme como uma obra do próprio filme.

A adaptação é principalmente fiel, exceto por um detalhe que comentarei mais tarde. O roteiro de Masa Nakamura e Akihiko Shiota quase não deixa de fora nenhum elemento. É bom que em 139 minutos quase tudo o que Tezuka diz esteja incluído em quatro volumes. Assim, quer o resto dos aspectos do filme seja bom ou mau, o filme de Dororo tem um bom resultado porque conta uma história muito comovente e absorvente. A estrutura não é a mais adequada para um filme, pois é uma série publicada em capítulos individuais que abrem e fecham. A adaptação parece estar dividida em duas metades. No final de uma delas, o autor resume várias das aventuras de uma montagem de filme (com uma música que soa flamenco e não bate nada, além de estar um pouco cansado) e continua a focar na principal. De todas as soluções que poderiam ter sido tomadas, é talvez a mais bem sucedida e a que melhor respeita o trabalho original.

Por mais que tudo esteja lá, o maior valor de Tezuka, que é a força narrativa, não foi transmitido porque é muito difícil igualar essa intensidade – nenhuma adaptação das obras de Mangaka que vi pode fazer isso. O ritmo do filme está longe da obra do pai do mangaka, mas é mais descontraído e contemplativo, e até mesmo excessivamente estético e precioso. Isso às vezes entra em conflito com o que está sendo dito e a ação e o humor entram no filme com pior sorte do que na realização de um outro estilo.

Outra das grandes virtudes de Tezuka é a criação de personagens. Aqueles de vocês que estão familiarizados com seu trabalho terão encontrado seus temas recorrentes na sinopse, como as partes artificiais do corpo adicionadas à Hyakkimaru – o que poderia nos lembrar do robô Astroboy ou Pinoko do ‘Black Jack’, entre outros. Tezuka gosta de personagens responsivos, rebeldes, com tanta personalidade e intensidade de caráter quanto suas histórias têm em termos de ritmo de narração. Este é o estilo em que Dororo estaria. Ele também retrata seres aparentemente impasssivos, fortes e arrogantes, mas com um coração que eles tentam esconder. Hyakkimaru entraria neste retrato. Isto permite uma magnífica interação entre os dois protagonistas de ‘Dororo’, uma relação amor-ódio que mantém a manga com constante interesse e que dá origem aos momentos mais humorísticos ou agradáveis.

No filme, este aspecto não é muito exato, mas não porque acabou mal, mas porque se aproximar do que Tezuka conseguiu foi muito difícil. Os actores não são particularmente bons. Satoshi Tsumabuki é muito bonito – há uma razão para o seu personagem em The Fast and the Furious: Tokyo Drift foi chamado de “Exceedingly Handsome Guy” – e ele não é nada mal. Ele também sabe como lutar, por isso pode ser uma descoberta para filmes de ação. Mas ele não tem a força de caráter que teria sido necessária para interpretar Hyakkimaru. Muito poucos actores no mundo seriam capazes de o fazer.

ESPÓLOLOGO PARA QUEM NÃO CONHECE O SLEEVE (NÃO PARA O FILME): O problema de Kou Shibasaki é maior. Por um lado há a mudança do trabalho original: nele você não sabe que Dororo é uma menina até quase o fim. Ele é muito mais jovem que a atriz do filme e passa por uma criança durante a maior parte da história. A decisão de Shiota de colocar uma menina mais velha no filme é, suponho eu, motivada por questões de marketing, para dar a impressão na capa (à direita) de que vai haver um caso. Não digo que isso não seja possível porque a manga tem um final, mas parece que Tezuka teria sido obrigado a fechá-la ali e que a sua ideia inicial teria sido escrever uma saga muito longa que não terminaria até que Hyakkimaru tivesse recuperado todas as suas partes – muito parecida com a ‘Inu Yasha’ de Rumiko Takahashi. Dentro desse futuro possível que Tezuka não escreveu, o romance certamente seria insinuado, mas não no material que existe. A atriz Shibasaki se encontra em um papel muito difícil no qual ela tem que interpretar um menino mais jovem que ela e que tem muita autoconfiança. Como resultado, ela é constantemente exagerada e quase ridícula. Mais uma vez, teria sido preciso um enorme artista para se conseguir um bom resultado. FIM DO

SPOILEREm conclusão e já esquecendo sua relação com a mangá de Tezuka, ‘Dororo’ é um filme de fotografia muito bonito, com uma série de lutas bem filmadas e bastante violentas e com uma história emocionante e muito densa

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Mais informações sobre Osamu Tezuka no Blogdecine.

Abaixo você pode ver um trailer que também contém SPOILERS sobre a manga, mas não sobre o filme:

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