Ernest Borgnine deixou-nos

No domingo à noite o actor Ernest Borgnine morreu de insuficiência renal aos 95 anos de idade. Ele estava acompanhado de sua esposa e filhos no Hospital Cedar-Sinai em Los Angeles.

De origem italiana, Borgnine começou no cinema no início dos anos 50, uma década na qual participou de filmes tão importantes como “Daqui à eternidade” (“De aquí a la eternidad“, Fred Zinnemann, 1953), “Johnny Guitar” (id, Nicholas Ray, 1954), “Veracruz” (id, Robert Aldrich, 1954), ‘Conspiração do Silêncio’ (‘Bad Day at Black Rock’, John Sturgues, 1955), e sobretudo ‘Marty’ (id, Delbert Mann, 1955), um dos poucos filmes em que teve um papel principal, e pelo qual ganhou um merecido Oscar de melhor ator principal.

Seu rosto peculiar o levou a interpretar um número infinito de personagens secundários, sendo um daqueles atores que enobreceram, por assim dizer, os secundários, muitas vezes conseguindo estar acima dos principais. Borgnine tinha a capacidade, destinada apenas a poucos, de dar vida a homens cheios de sensibilidade e bondade, ou também ao maior filho da puta que se pudesse encontrar. Depois de participar com diretores como Delmer Daves ou Richard Fleischer, na década seguinte destacou-se em filmes como ‘Barabbas’, novamente de Fleischer, O Vôo da Fênix‘ (‘The Dirty Dozen’, 1967), ambos de Aldrich, que o teve como um de seus atores fetiches, ou o indispensável ‘Wild Bunch’ (‘The Wild Bunch’, Sam Peckinpah, 1969).

‘The Poseidon Adventure’ (‘A Aventura Poseidon’, Ronald Neame, 1972) – provavelmente o melhor filme sobre desastres – e ‘The Emperor of the North Pole’ (‘Imperor of the North Pole’, Robert Aldrich, 1973) foram duas das obras mais importantes do ator nos anos 70, ao lado de títulos como ‘Convoy’ (id, Sam Peckinpah, 1978) ou The Black Hole’ (‘Gary Nelson’, 1979), um filme de ficção científica que foi injustamente subestimado. Nos anos 80, destacou-se no mítico ‘1997: Rescue in New York’ (‘Escape from New York’, John Carpenter, 1981) e pouco a pouco os filmes em que participou não tinham a qualidade dos títulos de outrora, sem dúvida em consonância com os novos tempos de Hollywood.

Um de seus últimos trabalhos foi no passível ‘Red‘ (id, Robert Schwentke, 2010), e destaco pessoalmente sua atuação no segmento dirigido por Sean Penn para o filme sobre os ataques às Torres Gêmeas ’11-09-01‘, uma jóia de 11 minutos que impressiona, entre outras coisas, com a atuação sincera de Borgnine.

Ele não deixou de trabalhar por um único dia, e sua partida ajudou a extinguir uma classe de ator de madeira muito diferente da de hoje. Um pedaço da minha infância também desapareceu. Adeus, Ernest.

Via : El Pais

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