muito mais do que um inesquecível Joker

Em 22 de janeiro de 2008, Heath Ledger faleceu, um ator chamado a fazer história e que apenas alguns meses após sua morte nos deixou de boca aberta graças à sua interpretação magistral do Coringa em ‘The Dark Knight’. Ele já havia mostrado seu talento em vários títulos, mas o filme dirigido por Christopher Nolan estava destinado a marcar um antes e um depois em sua carreira.

Infelizmente, não saberemos como Ledger teria se desenvolvido após um desempenho que lhe valeu um merecido Oscar postumamente. O que podemos lembrar é o que ele trouxe para a sétima arte durante os anos em que esteve vivo, especialmente pela sua participação em ’10 Coisas que Odeio em Você’, o título que fez o público começar a se familiarizar com o seu rosto.

A sua rápida ascensão ao estrelato

A carreira de Ledger começou na sua Austrália natal, em 1993, e durante os primeiros anos concentrou-se em produções televisivas, nomeadamente “Connor, the Roar”, uma série de acção histórica de curta duração que coincidiu com a então desconhecida Vera Farmiga. Essa foi sua primeira grande oportunidade nos Estados Unidos, mas logo a segunda viria, e essa ele não perderia.

Lançado em 1999, “10 razões para odiá-lo” não foi um sucesso de bilheteria, pois custou 30 milhões de dólares e arrecadou pouco mais de 53 milhões de dólares em todo o mundo. Contudo, lançou a carreira de vários dos seus protagonistas, incluindo um Ledger que mostrou a sua invejável presença física e capacidade suficiente para ser mais do que apenas um belo pedaço de carne.

Cavalheiro

Hollywood notou isso e depois de dar vida ao filho de Mel Gibson no The Patriot’, ele não hesitou em conseguir um veículo projetado para a sua glória pessoal. Estou falando de ‘A Knight’s Tale, uma aventura medieval com uma forte componente romântica na qual Ledger impulsionou sua frieza e carisma para liderar um filme que deu o melhor de si mesmo em seus primeiros minutos e depois rapidamente perdeu o interesse.

Muitos teriam se sentido tentados a começar a aceitar apenas papéis nessa linha, o que destacou o que o fez se conectar com o público. Não foi esse o caso, porque nesse mesmo ano também o vimos em um papel de apoio no ‘Monster’s Ball’, onde ele já mostrou um talento para o drama que mal havia explorado até então.

À procura da sua própria voz como actor

Grimm

Infelizmente, Ledger acorrentou vários títulos que passaram sem aviso prévio ou glória –As Quatro Penas’, A Ordem’ e ‘Ned Kelly‘ – e onde ele também não era obrigado a atuar muito, então parecia que ele poderia acabar relegando-os ao status de atores que poderiam ter sido uma estrela e caíram no caminho.

No entanto, Ledger conseguiu pôr um fim à má fase e voltou em grande estilo em 2005 com quatro títulos nos quais conseguiu mostrar caras muito diferentes. Por um lado, ela brilhou naquele excêntrico e algo irregular hobby que era ‘Os Irmãos Grimm’, ela mostrou novamente a sua ousada beleza em ‘Casanova’, ela combinou drama e beleza em ‘Os Senhores da Cidade dos Cães‘ e surpreendeu-nos a todos com ‘Brokeback Mountain’.

Brokeback

O que realmente se destacou acima do resto foi este último, onde mostrou uma invejável capacidade de mergulhar na mente de um ombro torturado, desta vez por causa da descoberta da homossexualidade e suas dificuldades em lidar com ela. Tanto ele como Jake Gyllenhaal bordaram seus respectivos personagens, sabendo como diferenciá-los para que a jornada emocional de ambos não acabasse sendo repetitiva.

Essa fragilidade que Ledger conseguiu mostrar tão bem no filme de Ang Lee lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar, uma conquista que faz com que muitos atores abracem abertamente o cinema mais comercial para que seus esforços de atuação se traduzam em vários suculentos cheques. Não foi isso que o Ledger fez, pois preferiu apostar na minoria “Candy” ou fazer parte do elenco alargado de “I’m Not There”.

Joker, o personagem que deveria ter mudado tudo

Ledger não sofreu com o complexo de se acreditar melhor do que ninguém e até optou por se preparar minuciosamente para o papel que o iria devolver à linha de frente: o seu Joker em “The Dark Knight”. Também não era incomum para ele isolar-se por um curto período de tempo a fim de mergulhar completamente no novo personagem que iria interpretar, mas este caso foi diferente e o levou a viver sozinho por um mês em um quarto de hotel.

O ator até manteve um diário com o que ele pensou que poderia ser o pensamento de Joker, pesquisou outros personagens que poderiam ser inspirados por ele, como Alex DeLarge em ‘A Clockwork Orange’, e até exagerou suas reações gestuais durante o processo de maquiagem para dar ao personagem aquela imagem única que ficou para a história e que logo silenciou todos aqueles que já haviam criticado sua assinatura.

Brincadeira

A sua actuação foi tão memorável que alterou a imagem que o público tinha do personagem, que tinha estado intimamente associado à versão de Jack Nicholson do ‘Batman’. Começando pela sua transformação física, seguida pelo seu uso magistral da linguagem não verbal e um uso brilhante da sua voz, Ledger demonstrou que os vilões de um filme de super-heróis podiam ser tão icónicos ou mais do que o próprio herói, um personagem que ele próprio se recusara a representar em ‘Batman Begins’ porque não o achava suficientemente interessante.

Teríamos ainda a oportunidade de desfrutar de outra actuação dele na reunião com Terry Gilliam em “O Imaginarium do Doutor Parnassus”, título que não pôde terminar antes da sua trágica morte, embora vários actores tenham vindo em seu socorro. Quais teriam sido os seus próximos filmes? Impossível dizer – embora George Miller tenha dito que estava programado para ser o novo Max – mas o que é claro é que perdemos alguém com muito talento demasiado cedo.

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