Steve Carell, um desajeitado da Sibylline

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31 Dezembro 2011, 22:33 Pablo Muñoz@Alvy_Singer

Ele é talvez o meu comediante favorito, não tanto porque ele não valoriza estilos pessoais (e até a sua própria maneira autoral): seus produtos não têm rótulo, um conjunto de convenções, mas desenvolvem um discurso criativo a partir de um arquétipo, como era o caso dos velhos comediantes de Hollywood e suas estrelas), mas Steve Carell tem uma coisa de Cary Grant acontecendo, ele pode parecer realmente desajeitado sem nunca parecer irrazoavelmente estúpido, e também Tony Curtis, pode parecer realmente estúpido sem nunca deixar de parecer incrivelmente charmoso e sem que o último nos faça parecer um pouco nus sobre o primeiro, que não é, digamos, Adam Sandler ou Will Ferrell, os outros dois titãs da comédia activa em Hollywood.

Eu sei, eu sei! Steve Carell deveria ter-se saído melhor com esses papéis. Seu remake de ‘Jantar para Schmucks (2010) foi bastante decepcionante, sem mencionar que o ‘Super Agent 86’ (Get Smart, 2008) que deveria ter consagrado duas tradições incríveis, o absurdo e tremendo humor de Mel Brooks com a entoação blockbuster que toda estrela de comédia precisa desde a aparência titânica de Jim Carrey, e acabou sendo uma versão um pouco descafeinada de seus talentos.

Como é que descobrimos a Carell? Descobri-o em ‘The Reporter: The Legend of Ron Burgundy’ (Anchorman, 2003) ao fazer um memorável secundário que se perguntava o que era o amor. Descobri-o em voz alta, surpreendido pelo seu timing cómico, pelo seu bom temperamento, por tudo o que pedi a um comediante para fazer. Além disso, Carell foi pontual, para contrastar com a maravilhosa histriônica de Ferrell, fazendo da micro-gestualidade uma eterna fonte de riso. Um ano depois ele repetiria como comparsa de Ferrell em um pequeno papel em ‘Melinda y Melinda’ (id, 2004) e seria ‘Virgen a los 40’ (The 40-year virgin, 2004), tornando Appatow uma das vozes centrais da nova comédia americana.

Carell, porém, logo encontrou os problemas simples de todo estrelato brilhante em uma Hollywood que atende muito pouco a grandes nuances de atuação, mas sim a obrigações convencionais e muito a condições pré-estabelecidas. Imitando atrevidamente a impaciência de Wes Anderson (especificamente, um certo personagem de Luke Wilson em um certo filme sobre irmãos), ele se propôs um grande secundário mimético em Little Miss Sunshine’ (2006) e teve que enfrentar o desafio de substituir Jim Carrey em ‘I’m Still Like God’ (Evan Almighty, 2007), a continuação de um filme no qual ele já tinha tido um pequeno papel.

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Alarmado, descobri que Carell tinha tomado uma decisão ainda mais suicida: substituir o imenso Ricky Gervais na versão americana do ‘The Office’ (2005-), desempenhando o papel de Michael Scott durante seis anos. O resultado foi surpreendente, pelo menos de um ponto de vista mais ou menos heterodoxo: embora o filme se tenha transformado em sentimentalismo, o que na série de Gervais era uma observação seca e desordenada, em grande parte graças ao caráter gentil de Jim (John Krasinski), Michael Scott de Carell foi, junto com Dwight de Rainn Wilson, tudo o que valeu a pena na série. Scott era um Carell no seu repertório máximo de falhas vitais, colocando o seu arquétipo no fundo do abismo, mas sem perder um vértice encantador. Todo o amor de Gervais, verdade, evaporou-se em grande parte, mas a comédia sutil e brilhante de Carell foi consagrada.

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Sua carreira cinematográfica encontrou grande alívio em ‘Gru, My Favorite Villain’ (Despicable Me, 2010) e um recorde dramatúrgico, no irregular ‘Like Life Itself’ (Dan in the Real Life, 2007) que encontrou, finalmente, uma promessa satisfatória em ‘Crazy, Stupid Love’ (id, 2011), certamente a melhor comédia romântica em grande escala que Hollywood planejou nos últimos anos. Demonstrando a sua vivacidade e o seu disco com Julianne Moore e Ryan Gosling, com os quais tem admirável comédia de palco, Carell tinha arquivado e ampliado um disco que dominava mas cujos filmes o deixavam numa posição inferior ao resultado geral. Se contarmos com a ‘Noite do Encontro’ (id, 2010) para conseguir um resultado aceitável para ele e para o blockbuster e para mostrar como é simples que Tina Fey e seu carisma possam elevar uma proposta bastante medíocre a uma muito agradável, temos o que temíamos: Carell é um maravilhoso klutz e seu arquétipo está começando a dar frutos cada vez melhores.

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